Logística de e-commerce: particularidades e soluções

17/10/2018 - SCAMBO

Ao longo dos últimos anos as cadeias de suprimentos têm se reinventado buscando acompanhar a nova modalidade de consumo – o e-commerce. O crescimento das compras online reduz as etapas finais da cadeia de suprimentos, aproximando o consumidor do produto, e trazendo maior complexidade para a última milha. Dessa forma, a logística de e-commerce tem o desafio de suprir as exigências do consumidor final, garantindo prazo de entrega, qualidade do produto, além de oferecer a possibilidade de devolução dessa mercadoria; tudo isso a um valor competitivo no mercado.

Segundo o 38º Relatório Webshoppers, do Ebit, o volume de mercadorias vendidas online em 2011 representa cerca de 45% do volume previsto para este ano (2018) no Brasil, ou seja, este volume quase dobrou nos último quatro anos (Figura 1).

Figura 1 – Crescimento do Volume de Pedidos (Fonte: Ebit)

Ao contrário do perfil do pedido B2B1 comum, o pedido médio de e-commerce (B2C2) consiste em volumes pequenos, com poucos e diversos SKUs – geralmente de 1 a 3 – com picos de sazonalidade aos finais de semana (no B2B a sazonalidade é mensal). Segundo o 38º Webshoppers, os segmentos com maiores volumes de pedidos e faturamento no primeiro semestre desse ano foram, respectivamente, Saúde/Cosméticos e Perfumaria e Telefonia/Celulares, como mostra a Figura 2.

Figura 2 – Distribuição de Volumes de Venda (Fonte: Ebit)

 

Evidente que o perfil de pedidos é outro, mas qual o impacto que essa grande quantidade de encomendas pode trazer para a logística nas cidades? 

Aumento do número de viagens e veículos: os pedidos estão pulverizados pela cidade, o que aumenta o número de viagens necessários para atender essa demanda. Ainda, considerando que o prazo de entrega ofertado aos consumidores é cada vez menor, a possibilidade de ganhar escala nas rotas diminui, sendo necessário utilizar veículos menores, como motos e bicicletas.

Logística reversa: o consumidor de e-commerce tem direito de devolver os itens adquiridos online por até 7 dias depois do recebimento sem custo, além de a entrega poder não ser concluída na primeira tentativa por ausência do destinatário no local. Ambos os casos irão gerar novas viagens, causando prejuízos tanto para a cidade quanto para o embarcador e/ou transportador, pois esses percursos extras não serão convertidos em receita.

Novo uso para lojas físicas: como retratamos neste artigo, mais de 7000 lojas nos EUA fecharam as portas por conta da migração do consumo para o e-commerce. As lojas devem começar a reinventar os serviços oferecidos, servindo de pontos de coleta e devolução, showroom para produtos, entre outros.

Competição por espaço em calçadas e vias: os veículos de entrega precisam parar em pontos residenciais e comerciais, muitas vezes sem disponibilidade de estacionamento. Comumente são geradas filas duplas de estacionamento, descarga em calçadas para pedestres e veículos estacionados distantes do ponto de entrega, diminuindo a produtividade do entregador em rota.

  É possível citar algumas soluções para a logística de e-commerce que já foram desenvolvidas e estruturadas e outras, que estão em desenvolvimento, entre elas: 

Centros de distribuição urbanos: têm o objetivo principal de consolidar cargas de diversas origens em pontos mais próximos ao consumidores para então distribuí-las.

Pontos de retirada (Pontos de pick-up e drop-off ou parcel-lockers): mitiga as devoluções por ausência do destinatário, além de otimizar a rota de entrega, ao consolidar diversas entregas em um único ponto.

Uso de espaços ociosos em garagens e shoppings centers: ideia análoga aos centros de distribuição urbano, e que já está em prática no Brasil.

IoT, robótica e automação: podem ajudar nas etapas internas do centro de distribuição, como picking, packing e movimentação. Veja alguns exemplos nesse artigo da comschool.

Veículos alternativos: além das já citadas bicicletas e motocicletas, as entregas podem ser feitas utilizando porta malas ociosos de veículos de passageiros; a rede de transporte público – como está sendo estudado em Londres; pedestres – crowdshipping; cargo-bikes; drones… O uso de modos de transporte diversos reduz a demanda por tráfego de veículos e pode conferir maior qualidade em prazos de entrega.

O e-commerce tem crescido mesmo em países com instabilidade econômica, como é o caso do Brasil, e cabe aos pesquisadores, consultores e operadores logísticos abusar da criatividade para desenvolver soluções competitivas de forma a viabilizar essa tendência de consumo.

  • 1 B2B: bussiness to bussiness, em português, empresa para empresa.
  • 2 B2C: bussiness to consumer, em português, empresa para consumidor.

 

Leia também: Tecnologias emergentes e impactos na logística e mobilidade urbana

 

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