Entregas em regiões de difícil acesso e Logística Colaborativa

10/07/2019 - SCAMBO

No último dia 18 de Junho, ocorreu o Intelipost Connection, evento focado em discutir e construir o futuro das entregas num contexto onde o protagonista passou a ser a experiência de compra dos consumidores. Quer coisa mais com nossa cara do que pensar em inovação em logística urbana colaborativa? Pois é! A SCAMBO não ficou de fora e levou sua óptica para esse debate!

Um painel em especial chamou nossa atenção: “Logística em favelas e áreas de risco: como otimizar as entregas do seu e-commerce”. Quem já participou de um planejamento de logística last mile sabe a complexidade e a quantidade de variáveis que devem ser consideradas nesse tipo de operação. Quando estamos falando de localidades de difícil acesso então, a discussão muda de nível.

Paulo Fernandes, da SCAMBO, foi responsável pela mediação do painel que contou com representantes de institutos de pesquisa e grandes varejistas. Na ocasião, André Duarte, do Insper, apresentou um estudo realizado em comunidades do Rio de Janeiro. De cara, um número que assusta: cada quilômetro percorrido dentro de uma favela aumenta em R$30,00 o preço do frete e, ao mesmo tempo, o prazo de entrega se prolonga em até dois dias. Juntando isso com a previsão de que a população mundial residente em favelas deve chegar a 889 milhões de pessoas em 2020, a necessidade de se desenvolver soluções logísticas eficientes e economicamente viáveis para essas regiões se torna evidente.

 

Mas vamos deixar esse assunto de lado um pouco e falar sobre um caso curioso de logística. Na região de Bombaim, na Índia, os dabbawalas, “carregadores de marmita” em hindi, realizam a distribuição de cerca de 200 000 marmitas produzidas em comunidades para a região central da cidade. Esses entregadores utilizam os modais mais diversos para realizar essas entregas: bicicletas, metrôs, carrinho de mão, interação com outros dabbawalas… Vale tudo! Como as marmitas são retornáveis, depois de uma hora do fim das entregas, começa o processo de logística reversa para os recipientes serem devolvidos aos seus locais de origem. Vamos a outro número que surpreende: o índice de erro nesse processo é de um para 16 milhões. 

O segredo: Logística Compartilhada e respeito às especificidades das comunidades.

A Logística Compartilhada é baseada na economia colaborativa. Trata-se do uso compartilhado de recursos (moradia, transporte, escritório, etc) por mais de uma empresa ou por mais de uma pessoa com os mesmos interesses e necessidades, com o objetivo de baratear produtos e serviços. No caso dos dabbawalas, é traduzida no compartilhamento de vários modais de transporte e na própria interação entre esses carregadores.

Mas voltando ao Intelipost Connection e à pesquisa apresentada pelo André Duarte (Insper), o recado sobre as entregas em favelas foi claro: devem ser realizadas “de maneira amigável e não ostensiva”. Os casos de sucesso nessas regiões estão relacionados com o uso de entregadores locais, realização de entregas pela manhã e de forma discreta, manutenção de um bom relacionamento com a comunidade e uso de escolta em último caso, porque além de cara, se mostra pouco eficiente nessas situações. Em resumo, cooperar o máximo possível com a comunidade.

No mesmo painel, Flávio Amaral, responsável pelo supply chain e operações logísticas da Natura, trouxe casos e números que comprovam a pesquisa realizada por André Duarte: “Em relação à 2016, reduzimos em 80% os problemas de entrega às nossas consultoras em âmbito nacional, com uma queda de sinistros em 45%. E isso só foi possível quando entendemos o valor da parceria com a organização não-governamental e outras empresas”. 

Segundo ele, foi feito um trabalho intensivo de reconhecimento das regiões e construção de uma rede logística colaborativa que respeitasse as características de cada localidade. André complementou: “É interessante pensar em iniciativas de redes de microdistribuidores. Vale investir em pessoas físicas, que possuem uma bicicleta e bom conhecimento em uma área de 2 quilômetros quadrados, por exemplo. Antes de qualquer investimento, porém, é preciso entender a dinâmica desses pequenos distribuidores para gerar um elo de parceria e confiança”.

Interessante pensar que casos tão distintos possuem tanto em comum. Seja nas marmitas de Bombaim ou nas entregas em regiões de difícil acesso, o uso da logística compartilhada e o respeito às especificidades, à cultura das regiões são fundamentais. Como sempre defendemos por aqui: o futuro da logística é colaborativo!

Fontes:

http://www.citamericas.org/arquivos/319302cfb84040db9752e0ec3e71f475.pdf

https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/logistica-favela-areas-de-risco-e-commerce/

https://www.cobli.co/blog/tudo-sobre-logistica-compartilhada/

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