Concorrente: isso ainda vai continuar existindo?

24/07/2018 - SCAMBO

Por Paulo Oliveira

Para quem, como eu, contou com uma formação executiva em empresas de bens de consumo, conhecer – e odiar (oh!) – o concorrente fazia parte do job description. Imagino que isso vale para supply chain, como também para mercado financeiro, marketing, comercial… Mas será que já não está na hora de repensarmos este conceito de concorrente?

Para gestores de cadeias de suprimentos, os desafios para garantir um equilíbrio ótimo entre custo e nível de serviço só aumentam: maior diversidade de opções de entrega, maior exigência em termos de serviço por parte dos clientes (prazo, custo, customização…), maiores restrições ao longo dos processos (fiscais, legais, de mobilidade), mais atenção à logística reversa. Certificações como “B Corp” e associações com “Instituto Capitalismo Consciente” apontam para um mundo mais justo e equilibrado, onde o lucro não vem apenas do retorno sobre investimento, mas também da justiça social e do respeito ao meio ambiente.

E será que ainda assim iremos manter este ódio junto ao nosso concorrente?

Busca por sinergias operacionais, projetos de co-distribuição, compartilhamento de ativos e espaços, formação de grupos para negociação de compra de serviços e insumos… Não são poucas as ações decorrentes de uma visão mais colaborativa da cadeia de suprimentos, que trazem ganhos não apenas em redução de custos, mas também em melhorias de nível de serviço, conforme tese do professor-doutor da UFSCar Sorocaba José Geraldo Vieira.

É neste ambiente mais colaborativo que oportunidades podem surgir, INCLUSIVE com seus concorrentes. Um dos exemplos mais sedimentados é distribuição dos jornais Folha e Estado, em SP. Mas há também a coleta e reciclagem de embalagens de agrotóxicos, a combinação de forças na indústria do vinho no sul, além das diversas entidades de representação que buscam defender setores específicos (ABIOVE; ABIQUIM etc). Há potencial de diversos ganhos diretos e indiretos com esta COOPETIÇÃO, quando há cooperação com competidores dentre um mesmo segmento.

Há um ponto de crítico a ser levantado: não estamos preparados para colaborar e coopetir! Falta confiança entre os agentes da cadeia de abastecimento, há claro foco em ganhos de curto e médio prazos, o compartilhamento de informações é algo restrito e pouco comum, há dificuldade em criar e sustentar verdadeiros diferenciais competitivos, há um constante (e muitas vezes não embasado) medo de perder o cliente.

Assim como na definição de Supply Chain Management (página 12), confiança é parte essencial na colaboração. E é justamente partindo de uma relação com as partes confiando entre si que há maiores chances de colaboração e captura de ganhos decorrentes desta aproximação. Esta confiança pode surgir a partir de empatia, de relações anteriores de trabalho, de contatos pessoais, de aproximação junto a entidades mais “neutras” como universidades – uma vez estabelecido o elo de confiança, é só correr para o abraço!

Ao invés de estruturar estratégias e ações de combate à concorrência, vamos colocar nossos neurônios para pensar em sinergias, compartilhamento, colaboração, complementação. O contínuo surgimento (e crescimento) de start-ups no Brasil mostra que, compartilhando e colaborando, é possível ir longe.

 

Leia também sobre a proposta de implantação do conceito de Centro de Distribuição Urbano em São Paulo. 

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