Ciclologística cresce em representatividade, legitimidade e investimentos no Brasil em 2020!

21/12/2020 - Paulo Oliveira

O uso de bicicletas na logística urbana já vinha crescendo no Brasil, especialmente em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Curitiba. E o ano de 2020 foi especialmente importante para impulsionar este modal, deixando de ser um “nice to have”, para firmar-se num “must have” para empresas – embarcadores e transportadores – que operam no setor.

Com muito otimismo, a ascensão, expansão e aplicação do conceito ESG no mundo dos investimentos vem acontecendo, começando com carta de mais de 180 CEOs de grandes empresas, passando pela declaração de Larry Flint, CEO global da Black Rock e, mais recentemente, vendo importantes fundos formalizando investimentos neste sentido.

O uso da bike na logística urbana é uma ação que contempla o tripé da sustentabilidade, garantindo rentabilidade, impacto social positivo pela contratação de pessoas mais vulneráveis e/ou de menor qualificação e redução de impactos ambientais negativos como emissões e ruído. Além disso, torna as cidades lugares melhores para se viver, reduz potencial de acidentes e melhora a saúde dos entregadores.

Já havíamos comentado sobre a aquisição pela B2W de duas empresas de bike courier, Pedala e VaiDeCouri, mostrando a importância estratégica em ter este modal inserido nas malhas de distribuição urbana. Reforçando esta importância, a Prefeitura da São Paulo aprovou em março/20 a “Política Municipal de Ciclologística”, formalizando pontos importantes para maior eficiência e melhores condições de trabalho aos entregadores. Apesar de faltarem alguns detalhamentos na Política publicada, o caminho está sendo construído com pontos como:

  • Exigência que estacionamentos com bicicletários permitam seu uso para parada rápida por entregadores;
  • Cobrando de empresas de entrega por bicicletas e de aplicativos de entregas que disponibilizem gratuitamente aos seus ciclistas cursos gratuitos de formação e capacitação, além de estrutura mínima que envolva bebedouros, banheiros, área para carregadores de celular e armários.

Em Abril/2020, um amplo e detalhado relatório foi lançando pela Aliança Bike e LABMOB: “Ciclologística Brasil”. Com mapeamento de mais de 60 empresas de bike courier em mais de 15 cidades, além de estudos de caso com CarbonoZero, Natura, Nextel, Mercado Livre e Positiv.A. Muitas são as informações e insights no relatório, como:

  • Dentre as 24 empresas que responderam questionário, mais de 75% tem até 10 bicicletas na frota, sendo 61% bikes comuns e apenas 17% cargo-bikes;
  • Em termos de rotas de entrega, 59% rodam entre 40 e 80km por dia (!!);
  • Nos modelos de contratação, 42% contratam como ‘freela’ e outros 33% como MEI ou PJ.

A última iniciativa que ganhou bastante visibilidade foi o projeto iFood Pedal, lançado em outubro. Em iniciativa colaborativa de 3 entidades atuantes neste setor de ciclologística – iFood, Tembici e AroMeiaZero – foi desenvolvido um modelo diferenciado de oferta de bike e apoio aos bikers, em teste limitado, mas com planos de expansão em SP e outras cidades. Neste projeto, ajustes foram feitos como:

  • Maior tempo de uso da bike com pedal assistido (4h) e planos semanais focados nos entregadores;
  • Curso digital (via WhatsApp) chamado Pedal Responsa;
  • Ponto de Apoio com máscaras, álcool em gel, capacete e mochila, além de banheiros, água, café, recarga para celular e local para refeições.

Apesar de tantas boas notícias, a massificação do uso de bike na logística ainda tem grandes desafios. No relatório “Ciclologística Brasil”, a principal dificuldade apontada é a falta de infraestrutura cicloviária, ponto que vem sendo trabalhado pela Prefeitura, mas numa velocidade menor do que a demanda exige.

Há também o complexo e urgente desafio de equilibrar melhor os ganhos de todos que atuam nestas cadeias de abastecimento, dado que os bikers tem trabalhado longas jornadas com ganhos ainda restritos, tirando atratividade desta atividade como principal fonte de renda, apesar dos claros impactos sociais positivos. Aqui, importante citar um completo e gratuito treinamento desenvolvido pela AroMeiaZero chamado “Viver de bike”, com 10 módulos incluindo mecânica, atendimento ao cliente, legislação e direção, entre outros.

Finalmente, há muitos paradigmas a serem quebrados, ligados à topografia, segurança, eficiência etc. Em projeto junto à Prefeitura de SP, apoiado por Banco Mundial e Consulado do Reino Unido, estamos (SCAMBO) estruturando um piloto de entrega de e-commerce com bikes na periferia de São Paulo, bairro de São Miguel Paulista, para não apenas mensurar aspectos de eficiência operacional, mas também de impacto social e ambiental na região.

Quanto mais bikes na logística, mais empregos, menos acidentes, menos emissões, mais qualidade de vida na cidade. É pouco ou vale a pena investir?

Se sua empresa está enfrentando desafios não triviais em operações logísticas e busca soluções únicas, inovadoras e aderentes a sua necessidade, somos seu parceiro para desenvolver e implementar mudanças de forma colaborativa e multi-disciplinar.

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