Centro de Distribuição Urbana em São Paulo: Essa proposta é viável?

24/07/2018 - SCAMBO

No dia 28 de Junho, representantes de diversos segmentos (transporte, indústria, startups, universidade, fundos de investimento, etc) se reuniram na FGV-EAESP para discutir a viabilidade da implantação de um (ou mais) centro de distribuição urbana na cidade de São Paulo. Esta é uma das soluções de logística urbana com maior potencial para melhorar a eficiência do trecho final da cadeia, a chamada última milha (do inglês last mile) e que tem muitos exemplos internacionais, principalmente na Europa.

 Leia mais sobre o conceito de Centro de Distribuição Urbano!

O painel de discussão, conduzido por Paulo Oliveira – Pesquisador do Celog-FGV e sócio da SCAMBO Consultoria, contou com a presença de:

  • •   Alexandre Félix – diretor geral do grupo Transfolha;
  • •   Ciro Biderman – Pesquisador do Centro de Estudos de Política e Economia do Setor Público (CEPESP/FGV);
  • •   Leonardo Pelloso – diretor de transportes do Grupo Pão de Açúcar;
  • •   Leise Kelli de Oliveira – professora da UFMG especialista em logística urbana;
  • •   Maurício Losada – gestor de planejamento de transportes da CET-SP.

Em relação ao contexto nacional da logística urbana atualmente, foram levantados vários aspectos relevantes, dentro dos quais podemos destacar:

  • •   Os transportadores operam em uma cadeia muito “estrangulada”, ou seja, com baixas margens de lucro, o que dificulta o investimento em novas soluções;
  • •   Existe baixa adesão à roteirização por parte dos motoristas;
  • •   A logística de last mile contribui para o aumento de congestionamentos que, por consequência, implicam em aumento de custos da mesma;
  • •   É um enorme desafio garantir qualidade de serviço nas entregas nas cidades para atender as crescentes exigências de agilidade por parte dos consumidores, dados os diversos problemas presentes no meio urbano: congestionamento, deficiência de vagas para caga/descarga, restrições de circulação para veículos de carga, etc.

Em relação ao a viabilidade de implantação de centro de distribuição urbana em São Paulo e seu potencial, alguns aspectos foram abordados, como:

  • •  Já existe a entrega expressa (alimentos) a partir de nanostores localizadas nas regiões centrais de São Paulo;
  • •   É possível combinar com outras soluções já existentes para a entrega de última milha, como por exemplo os pick-up points (pontos de entrega em lojas ou armários – lockers) e o crowdshipping (entregas realizadas por cidadãos comuns – a pé, de bicicleta ou no meio de transporte que tiverem);
  • •   Com a queda das vendas de carros nos próximos anos, as áreas de estacionamento (inclusive dentro de prédios comerciais e residenciais) potencialmente poderão dar espaço para instalações logísticas;
  • •   Existe a possibilidade de aproveitar imóveis ociosos, endividados pelo IPTU progressivo, para a construção de estruturas logísticas;
  • •   A necessidade de se aproveitar ainda mais o período noturno para a realização de entregas, devido à alta ociosidade da infraestrutura viária.

Apesar do potencial enorme de melhor o nível de serviço e eficiência da distribuição urbana nas cidades, além de minimizar alguns dos seus impactos negativos para a sociedade, é imprescindível que tal solução (CD urbano) seja econômico financeiramente viável. Dentro do contexto brasileiro foram abordados dois desafios principais:

  • • O preço do metro quadrado nos grandes centros urbanos que implica em um alto custo para a operação de um CD urbano e que, inclusive, foi um dos grandes impulsionadores do deslocamento das instalações logísticas para fora das cidades nas últimas décadas;
  • • A falta confiabilidade entre os diversos setores para o desenvolvimento de projetos em conjunto, ou seja, a cooperação ainda é um desafio, embora não em todas as cadeias; o e-commerce por exemplo já nasceu com o transporte compartilhado.

Apesar dos desafios levantados, fica latente que para a realização de um projeto como o de um centro de distribuição urbano é necessário forte engajamento de todas as partes envolvidas na logística urbana, de forma a reduzir os conflitos de interesses e desenvolver uma agenda em comum, talvez encabeçada por um agente neutro. Assim, pode-se realizar estudos de viabilidade econômica de maneira colaborativa com a finalidade de elaborar uma proposta de valor que resulte no desenvolvimento de um projeto piloto.

Confira o Binnenstadservice, serviço de centro de distribuição urbana na Holanda, e o Sogaris, iniciativa francesa.

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