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Impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia na logística brasileira

Impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia na logística brasileira

Nosso sócio, Marcos A. de Mello, foi convidado pelo The Brazilian Report para comentar sobre os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia na logística brasileira. Na semana passada postamos a matéria completa do portal e hoje nos aprofundamos mais no assunto com um artigo estilo “Perguntas e Respostas”.

Em 5 perguntas, Marcos explica a relação entre a alta dos combustíveis e seu impacto na logística, como isso afeta as políticas de preço, tanto no transporte terrestre como no marítimo, as perspectivas para o setor de transporte de cargas no Brasil, os impactos econômicos desses acontecimentos e se existe a possibilidade de proteção do setor logístico frente a esse cenário. Confira!

1 – A nível global, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia tem desencadeado uma alta no preço do petróleo e receio de disrupções na cadeia de fornecimento global. Até agora, como isso tem repercutido no Brasil, especialmente no setor da logística?

Até o momento o impacto é baixo. A guerra começou já há algum tempo, porém seus efeitos ainda estão se delineando no horizonte. O Brasil já vem lidando há meses com dois grandes desafios no setor de logística: os aumentos sucessivos do preço dos combustíveis no mercado interno desde maio/2020 e o aumento significativo dos custos de frete internacional, principalmente marítimo. No curto e médio prazos, devemos notar uma volatilidade ainda maior nesses dois fatores. Existem diversas variáveis tanto na formação dos preços dos combustíveis no mercado interno quanto no contexto internacional que qualquer outra previsão seria mera especulação.

2 – Pode me ajudar a entender os diferentes impactos sobre o transporte de carga terrestre, por um lado, e o transporte marítimo, por outro, dado a diferença nas políticas de preços para combustível de navegação/petróleo e diesel?

A diferença nas políticas de preço se dá por conta da composição dos mesmo e na forma como esse preço é repassado para o mercado. No caso do Brasil, os preços dos combustíveis nas refinarias são os reajustados por um comitê interno da Petrobras que avalia a evolução das condições de mercado, tanto internas quanto externas, e toma as decisões sem periodicidade definida. Além disso, existem os efeitos dos impostos estaduais e federais, custos de distribuição e adição de etanol (no caso da gasolina) e biodiesel (no caso do diesel) nos preços finais ao consumidor. Já o preço do combustível de navegação está sujeito à variação diária do mercado internacional de comodities. Dessa forma, os custos do transporte terrestre no Brasil podem ser considerados relativamente menos previsíveis que o custo do transporte internacional. Para dar um exemplo dessa diferença, entre 26/outubro/21 e 12/janeiro/22 não houve aumento reajuste de preço por parte da Petrobras mesmo com sucessivos aumentos do preço do petróleo.

3 – Além do preço do combustível, quais são os outros fatores que podem impactar o setor da logística e do frete no Brasil?

Além do preço do combustível, podemos considerar também no cenário dos próximos meses uma possível redução da oferta caminhões zero km. Esse cenário se instalou em 2021 globalmente por conta da retomada econômica e consequente escassez de insumos para produção de veículos, frente uma demanda tão alta, principalmente de semicondutores. As montadoras estão conseguindo aumentar a oferta de veículos, mas apenas para atender os pedidos represados de 2021. Se esse cenário se mantiver, podemos ter alguns gargalos em termos de disponibilidade de veículos de carga novos.

No longo prazo, precisamos aguardar o cenário das comodities, tanto importação quanto exportação, para poder avaliar com maior precisão.

4 – Atualmente, como podemos enxergar as perspectivas do setor de transporte de cargas no Brasil? Quais impactos a turbulência na logística teria para o Brasil e a economia do país de forma mais geral?

Precisamos ter tranquilidade para analisar as perspectivas. As empresas, tanto embarcadores quanto transportadores, vêm lidando bem com a turbulência gerada pelos subsequentes aumentos do preço do combustível no mercado interno. As cadeias de abastecimento continuaram e continuam operando adequadamente. Basta ver as gôndolas dos supermercados. Também não houve risco real de paralização de caminhoneiros, apesar dos rumores, desde a grande paralisação de 2018. Até o momento, temos tido ‘apenas’ o impacto significativo nos custos. E esse tende a ser o principal efeito negativo na estrutura de custos logísticos.

5 – O setor de logística brasileiro tem como se proteger, pelo menos em parte, das repercussões da guerra na Ucrânia?

Considerando que o principal efeito dessa guerra no curto e médio prazos é o aumento dos custos, o setor brasileiro de logística tem algumas alavancas para proteger a saúde financeira dos negócios e manter a resiliência das cadeias de abastecimento. A primeira é implementar operações colaborativas, principalmente no transporte, para reduzir custos e garantir disponibilidade de veículos de carga nas fábricas e centros de distribuição. A segunda é revisar suas estratégias de malha logística e de transporte, ajustando os modelos para equilibrar a relação entre capacidade vs. custos fixos. A terceira é acelerar a inovação através de tecnologia. Hoje no Brasil temos centenas de soluções já disponíveis que podem levar as operações logísticas para outros patamares de eficiência em pouco tempo.

 

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