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Ciclologística Sustentável: quantos paradigmas ainda precisam ser quebrados?

Ciclologística Sustentável: quantos paradigmas ainda precisam ser quebrados?

“Ciclologística: eficiência operacional é compatível com sustentabilidade?”

Esse foi o tema do Sob Todas as Ópticas de fevereiro. Reunimos para compor a mesa de debates representantes de três pontos de vista bem diferentes: fundo de investimento internacional, empresa líder em soluções de tecnologia para micro mobilidade e coletivo de ciclo logística. Para aumentar ainda mais a diversidade, participaram também representantes de universidade, empresa de varejo e start-up de logística reversa.

O fio condutor de todo o debate foi a quebra de paradigmas. Alguns já foram quebrados.

Um tema que veio para ficar nos boards e C-level de grandes investidores e empresas é o investimento de impacto através do triple botton line.  Existem metas tanto quantitativas, como redução de emissões de CO2, quanto qualitativas, como qualidade do ambiente de negócios.

Outro paradigma que foi quebrado, pelo menos pelas grandes empresas, é que a logística reversa não deve ser sub-remunerada em comparação com a logística de entrega. Através de tecnologia de rastreabilidade é possível garantir que uma determinada cadeia de suprimentos tem condições adequadas de trabalho em todos seus elos.

Essas são duas mudanças que criam novas oportunidades para as empresas de ciclologística. Por um lado, podem receber mais aportes de capital e expandir suas estruturas. E por outro, novos mercados podem ser abertos, viabilizando ganho de escala através de maiores volumes de operação.

Porém, outros paradigmas ainda precisam ser quebrados.

O primeiro ponto é: como garantir condições de trabalho adequadas, tanto para homens quanto para mulheres, na ciclologística? A mesma questão pode ser aplicada aos entregadores de moto-frete. Numa visão de longuíssimo prazo, qual o impacto das condições de trabalho inadequadas de hoje no SUS e no INSS daqui 10, 15 ou 20 anos? Podemos estar armando uma grande bomba relógio…

Algumas soluções para isso estão começando a ser testadas hoje, como o “Pedal Responsa” da parceria da Tembici e iFood. O desafio é como expandir de forma acelerada, quebrando o paradigma de que esse tipo de solução não tem sustentabilidade financeira.

Outro ponto é passar a encarar as atividades de transporte como uma alavanca de desenvolvimento econômico, social e de melhoria de qualidade de vida nas cidades. Até hoje, o transporte de carga tem sido encarado pelo poder público como uma atividade eminentemente privada que deve ser regulada apenas, apesar do grande impacto na qualidade de vida das cidades.

O transporte deve passar a ser encarado como um bem público que deve tanto ser regulado quanto estimulado. Regulado quanto às condições de trabalho, exigências legais, segurança, impacto ambiental etc. Estimulado quanto ao acesso, colaboração, sustentabilidade, inclusão social, inovação etc. Dessa forma, a equação custo/benefício passa a ‘jogar a favor’ dos modos sustentáveis de entrega e, neste contexto, a ciclologística mostra-se uma saída viável, relevante e inclusiva.

O debate terminou com a seguinte reflexão: temos sim algumas iniciativas e possíveis soluções para as questões debatidas, porém o que precisamos fazer agora para acelerar, expandir e, assim, garantir um futuro significativamente melhor?

E o que a SCAMBO está fazendo nesse sentido?

  1. Promovendo conexão e debate entre diversos atores do ecossistema da distribuição urbana através de projetos como o SmartLogisticsSP, que finalizamos esse mês e logo teremos desdobramentos.
  1. Construindo e disseminando conhecimento técnico-científico para embasamento das iniciativas sustentáveis na prática através da nossa parceria com o IBTS para expansão do PLVB através de um plano de longo prazo.
  1. Estruturando pilotos de operações de distribuição para melhor entendimento da viabilidade econômica de soluções logísticas sustentáveis com modos alternativos de entrega. Tem um saindo do forno relacionado a entrega de bike na periferia.

…e muito mais! Não deixe de acompanhar!

Ainda não assistiu ao nosso Webinar? Saiba mais sobre o “Sob todas as Ópticas 2021” e veja o evento na íntegra aqui.

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